QUANDO EU ERA MENINO
QUANDO EU ERA MENINO
Quando eu era menino, cria piamente que o personagem da TV Daniel Boone conseguia cortar uma árvore ao meio com um único golpe de machadinha. Quando eu era menino sonhava em ter uma família perfeita como a do seriado “Os Waltons”, que sempre terminava quando todos se preparavam para dormir naquele casarão típico de fazenda. A frase “Boa noite John Boy” marcou a minha geração.
O apóstolo Paulo escreveu sobre a infância, fazendo uma analogia ao caminhar com Cristo e a grandeza do seu amor, registrada em 1 Coríntios 13:11. “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”.
Quando me converti, era um menino na fé. Agia levado pela emoção. Em nome de Jesus cometi alguns excessos que até hoje soam desconfortáveis. Pensava que Deus prestaria mais atenção as minhas orações se elas fossem realizadas de madrugada, num ermo qualquer. Possuía a convicção de que um crente cheio do Espírito Santo era aquele irmão que mais “gritasse” nos cultos. Tinha como verdadeiro que, ao me tornar cristão, a dor, independente da sua origem, nunca me alcançaria. Acreditava que a Igreja que freqüentava era a única sã doutrinariamente. Quando eu era um menino, imaginava que Deus tinha a obrigação de atender todos os meus desejos, por mais loucos e insanos que fossem.
Assim como crescimento físico é natural à raça humana, o crescimento espiritual também deve ser uma verdade constante na vida cristã. Não amadurecer em Cristo é uma anomalia. Uma aberração. Entristeço-me ao ver as nossas igrejas como grandes “berçários”, cheios de “crianças mimadas”, que choramingam por qualquer coisa, não aceitam a correção do Pai e tentam, a todo instante, manipular a vontade divina, quando ainda nem conseguiram parar de sujar as próprias fraldas.
Tornei-me adulto. Descobri que não se pode cortar uma árvore com um único golpe e que não existe família perfeita, a não ser na ficção. As únicas características infantis que luto para manter em minha vida são a credulidade e a pureza de coração. Condições sem as quais, segundo Jesus Cristo, ninguém entrará no Reino dos Céus.
Maurício Cantoni